Saiba como ficou seu signo com a mudança dos signos do Zodíaco

Constelação de Ofiúco em ilustração britânica do século XIX

Os deuses da internet fizeram voltar a circular uma notícia do G1 de 2011 dizendo que o movimento da Terra teria provocado mudanças nos signos e com um astrônomo explicando como os signos astrológicos estariam errados. Além disso, deveria haver um novo signo chamado Ofiúco (ou Serpentário) — ilustrado acima.

Como já tinha tocado no assunto quando a história ganhou repercussão pela primeira vez, acho que vale relembrar o que escrevi na época:

Nova astrologia?
Nenhum astrônomo que se preze vai defender uma nova astrologia, ou qualquer astrologia, como muitos estão dizendo por aí. A história de “signos defasados” é bem antiga — eu mesmo tenho usado nas minhas palestras para ilustrar como a ideia de associar um signo (que é, na verdade uma constelação) do Zodíaco à posição que o Sol ocupava quando a pessoa nasceu está errada.




A astrologia começou há 5 mil anos com o intuito de prever o futuro. Que futuro? Ditar o início das estações ou conhecer as épocas de chuva e de estiagem, entre outras previsões. Era questão de sobrevivência.

Observações cuidadosas, século após século, mostraram que o Sol percorre um caminho bem definido “sobre” as constelações no céu. Durante o ano, sempre antes do amanhecer, ou logo depois do entardecer, os astrólogos marcavam quais estrelas estariam mais próximas da posição do Sol. Com o passar dos meses, eles notaram que as estrelas iam mudando. Parecia que elas se moviam por trás do Sol. Na verdade, esse é o efeito do movimento da Terra ao redor do Sol, que acaba sendo ‘projetado’ contra um fundo de estrelas.

De modo geral, a coisa funciona assim: as estrelas vistas próximas ao Sol no começo do ano estariam na direção oposta a ele, seis meses depois. Essas estrelas estão agrupadas em constelações e essas constelações que o Sol “passa” em frente formam o Zodíaco, que nada mais é do que o caminho percorrido pelo Sol.

Os 12 signos
Para encaixar todas as constelações em um ano, o Zodíaco foi dividido em 12 partes iguais e a cada uma delas foi associada uma constelação, com datas de entrada e saída do Sol. Quando o Sol estava sobre uma constelação específica, os especialistas sabiam dizer que era época de chuvas. Quando estivesse em outra, era hora de se preparar para o inverno.

Mas, com todo o misticismo atrelado à leitura das estrelas, foi quase uma consequência imediata que os astrólogos começassem a ditar, por exemplo, como o filho do imperador, nascido sob a constelação do Leão, deveria herdar deste signo características como a bravura e a coragem.

Com o passar do tempo, prever o futuro no céu ficou a cargo da meteorologia. A astrologia passou a sobreviver de tentar conhecer o destino das pessoas.

Na verdade, são 13 constelações
Só que faltou combinar com os russos, como diria Garrincha: o Sol, em seu caminho “sobre” as estrelas passa por 13, não 12 constelações. O nome da tal constelação “a mais” é Ofiúco. Além disso, o Sol não fica exatamente 30 dias em cada uma das constelações. A velocidade da Terra em torno do Sol não é uniforme: o planeta se move mais rapidamente no início do ano (quando está no periélio, a menor distância em relação ao Sol) do que em julho (quando está mais distante do Sol, ou seja, no afélio). Além disso, as constelações não têm o mesmo tamanho no céu.

O eixo da Terra muda constantemente
Mais ainda, o eixo de rotação da Terra não aponta sempre para o mesmo lugar. Imagine um pião rodando na vertical. O seu eixo de rotação aponta diretamente para o teto. Conforme o tempo passa, o pião começa a “bambolear”, ou seja, o eixo de rotação passa a girar também em relação à vertical.

Esse movimento é chamado de precessão e é um dos mais de dez movimentos conhecidos que a Terra realiza. Os principais são rotação, revolução (ou translação, como é conhecido popularmente), precessão e nutação.

Com esse movimento de precessão do eixo de rotação da Terra, as constelações que formam o plano de fundo do céu mudam com o passar de muitos anos. Por exemplo, hoje o eixo de rotação da Terra aponta para a estrela Polaris, no hemisfério norte. Daqui a 13 mil anos estará próximo a Vega. O período total de precessão dos equinócios é de 25 770 anos.




O efeito é sutil, leva alguns séculos para ser percebido, mas os gregos antigos já sabiam deste fato. Na prática, com a passagem dos anos, a constelação que o Sol parece ocupar no dia 1º de janeiro vai mudar.

E aqui voltamos ao começo deste texto. É isso o que o colega Parke Kunkle, da Sociedade Planetária de Minnesota, quis dizer: com a precessão do eixo da Terra, ao considerar a constelação na qual o Sol deveria estar pelas tabelas astrológicas, é possível notar diferenças com a constelação em que o Sol realmente estava — por exemplo, no momento do nascimento de uma pessoa.

Mapa irreal
A ideia de Kunkle é usar esse fato para mostrar que não pode haver qualquer ligação entre a posição das estrelas e a personalidade de uma pessoa, muito menos com acontecimentos futuros. O mapa astral de uma pessoa mostra um céu irreal, de modo que a configuração das estrelas no papel é diferente da posição das estrelas no céu.

O seu futuro ou a sua personalidade seria definida pela posição das estrelas há 3 mil anos. Acho que dá para perceber a incongruência das coisas. É interessante ver a reação das pessoas. Na época em que o assunto veio à tona, algumas até juraram Kunkle de morte.

Mas, então, como fica?  É para usar o zodíaco “novo” ou o tradicional? Pode usar qualquer um — astrologia não passa em nenhum crivo científico e, por isso, qualquer astrologia pode ser usada, já que não funciona mesmo!

Veja como ficou e se o seu signo mudou

Astrônomos do Planetário de Minnesota, nos EUA, afirmam que, por causa da atração gravitacional que a Lua exerce sobre a Terra, o alinhamento das estrelas foi empurrado por cerca de um mês.

A questão opõe astrólogos, que se baseiam na posição dos astros para fazer o horóscopo, e os astrônomos, preocupados com a posição atual de estrelas e planetas.

“Quando [os astrólogos] dizem que o sol está em Peixes, não está realmente em Peixes”, disse Parke Kunkle, um dos integrantes do Minnesota Planetarium Society à revista “Time”. O signo astrológico é determinado pela posição do sol no dia em que a pessoa nasceu, o que significa que, de acordo com os astrônomos, tudo o que se sabia sobre horóscopo está errado.

Ainda de acordo com os o grupo de astrônomos, um 13º signo deveria fazer parte da astrologia, que teria imprecisões desde o seu início. A explicação é que, na Antiga Babilônia, apenas 12 das 13 constelações foram levadas em conta, ignorando Serpentário, que tem como símbolo a cobra.

De acordo com os astrônomos de Minnesota, esta é o período correto que identificaria cada signo:

Capricórnio: de 20 de janeiro a 16 de fevereiro
Aquário: de 16 de fevereiro a 11 de março
Peixes: de 11 de março a 18 de abril
Áries: de 18 de abril a 13 de maio
Touro: de 13 de maio a 21 de junho
Gêmeos: de 21 de junho a 20 de julho
Câncer: de 20 de julho a 10 de agosto
Leão: de 10 de agosto a 16 de setembro
Virgem: de 16 de setembro a 30 de outubro
Libra: de 30 de outubro a 23 de novembro
Escorpião: de 23 a 29 de novembro
Serpentário: de 29 de novembro a 17 de dezembro
Sagitário: de 17 de dezembro a 20 de janeiro

Foto do Destaque: Reprodução

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/01/movimento-da-terra-mudou-signos-do-zodiaco-dizem-astronomos.html

3 comentários em “Saiba como ficou seu signo com a mudança dos signos do Zodíaco

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