Presos na Hashtag cogitaram uso de armas químicas na Olimpíada, diz PF

Os homens suspeitos de ligação com o grupo terrorista Estado Islâmico, presos durante a Operação Hashtag, chegaram a discutir sobre a possibilidade de usar armas químicas e contaminar uma estação de água durante a Olimpíada do Rio, que se encerrou no dia 21 de agosto. O plano dos investigados foi descoberto em mensagens de texto em aplicativos de conversa nos celulares apreendidos pela Polícia Federal de Brasília.

“As Olímpíadas seria uma ótima chance”, diz a mensagem de um dos rapazes. Em outra conversa, um integrante sugere o uso das armas químicas. “Já imaginaram um ataque bio químico, contaminar as águas em uma estação de abastecimento de água por exemplo?”.

A operação teve a primeira fase deflagrada no dia 21 de julho, e a segunda no dia 11 de agosto. Ao todo, 14 pessoas continuam presas e estão detidas em um presídio federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

No dia 18 de agosto, a Justiça Federal no Paraná determinou a prorrogação da prisão temporária dos 12 detidos na primeira etapa por mais 30 dias. Ao final do prazo, o juiz Marcos Josegrei da Silva, poderá decidir se libera os presos ou se transforma as prisões em preventivas. Se isso acontecer, eles ficarão detidos por tempo indeterminado.

Já a prisão temporária dos outros dois homens, detidos na segunda fase da operação, vence no dia 11 de setembro.

Na decisão sobre a prorrogação, o juiz considerou que havia muito material para ser analisado contra os suspeitos e que o prazo inicial da detenção não foi suficiente. Ele também afirmou que os indícios foram aumentados com novos depoimentos e parte do material já analisado.

As prisões da Hashtag foram as primeiras feitas com base na nova lei antiterrorismo, sancionada pela presidente Dilma Rousseff, em março deste ano. Também foram as primeiras detenções por suspeita de ligação com o grupo terrorista Estado Islâmico, que atua no Oriente Médio, mas tem cometido atentados em várias partes do mundo.

Terroristas amadores
Logo após a deflagração da primeira fase da Operação Hashtag, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, reconheceu que embora o grupo fosse simpatizante do Estado Islâmico, nenhum deles teve qualquer contato com integrantes da facção terrorista.

Segundo ele, trata-se de uma “célula absolutamente amadora”, porque não tinha “nenhum preparo”.

Exaltação ao terrorismo
À época das prisões anteriores, o juiz Marcos Josegrei da Silva, titular da 14ª Vara Federal de Curitiba, afirmou que a exaltação ao terrorismo foi uma das justificativas para expedir os mandados de prisão temporária contra suspeitos de ligação com o grupo terrorista Estado Islâmico.

“Há uma exaltação frequente a atos terroristas. Há afirmações de que as pessoas efetivamente integrariam organização terrorista. Há exaltação a atos terroristas acontecidos recentemente ao redor do mundo e afirmações do tipo que aquele ato é um ato nobre, um ato que deve ser parabenizado, que deve ser congratulado”, disse o juiz.

Marcos Josegrei também falou sobre as idades dos suspeitos. “São idades variadas, mas são pessoas em idade jovem, não muito mais velhas. Talvez varie dos 20 aos 40 anos”, afirmou o juiz. Ele disse que, apesar de nenhum deles ter aparentemente ascendência árabe, eles se comunicavam através de codinomes árabes em redes sociais e de mensagens.

Adriana Justi e José Vianna

Do G1 PR e da RPC

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