PGR suspende as negociações de delação com os advogados de Léo Pinheiro

Léo Pinheiro (Gnews)

Foto: Reprodução G1

O sócio e ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, era conhecido pela proximidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De todos os empreiteiros envolvidos na Operacão Lava Jato, era o único que poderia ser considerado “amigo” de Lula. Claro que naquele sentido interesseiro que empresários e políticos costumam dar à palavra “amigo”, diferente de uma amizade genuína. Mas, vá lá, amigo mesmo assim, pelo convívio franco e pela liberdade com que falavam.

Com Marcelo Odebrecht, Lula nem conversava mais depois da eleição de Dilma; falava apenas com seu pai, Emílio. Ricardo Pessôa, Otávio Azevedo e todos os demais empreiteiros presos e condenados por Sérgio Moro tinham relação distante com o ex-presidente. O pecuarista José Carlos Bumlai era próximo de Lula, mas não é empreiteiro. Entre aqueles cujas empresas recebiam obras e contratos generosos, Léo era quem tinha mais intimidade.

Ele se referia a Lula como “Brahma” nas mensagens eletrônicas em que citava um contrato bilionário conquistado na África com a ajuda do ex-presidente. Estava disposto a reformar um apartamento no Guarujá para atender às demandas de Dona Marisa. Dividiu com a Odebrecht a responsabilidade pelas obras no sítio que Lula diz ser de seus amigos em Atibaia. Quando surgiu a notícia de que Léo e a OAS negociavam colaborar com a Justiça, quem acompanha a Lava Jato se fazia apenas uma pergunta: que dirá ele sobre Lula?

À medida que a negociação avançava, ficou claro que a delação de Léo seria pluripartidária. Ele também faria revelações sobre o senador tucano Aécio Neves. A OAS construiu a Cidade Administrativa de Belo Horizonte, complexo capaz de abrigar 20 mmil funcionários, obra mais cara no governo de Aécio em Minas. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, Léo se comprometera a apresentar documentos comprovando ter pagado propina pela obra.

Pois agora não dirá mais nada. O jornal O Globo noticiou ontem que a Procuradoria-Geral da República suspendeu as negociações com os advogados de Léo Pinheiro. O motivo alegado foi o vazamento para a imprensa de informações relativas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffolli, mencionadas por Léo na delação, mas desprezadas por não qualificar nenhum crime.

De acordo com a edição da revista Veja que circulou no último fim de semana, Léo afirmou ter indicado profissionais da OAS para ajudar Toffoli com obras de impermeabilização na reforma de sua casa em Brasília. Todos afirmam que o próprio Toffoli arcou com os custos. Sua relação com Léo já viera à tona na Lava Jato. Numa mensagem de celular, Léo cogitava dar a Toffoli um “bom whisky (sic)” de aniversário. Noutra, dizia ser preciso falar com ele sobre o “assunto dos aviões”. Apenas na delação ele poderia esclarecer do que se tratava.

Quem já teve de lidar com impermeabilização conhece a dificuldade de encontrar profissionais competentes na área. Se Toffoli conhece Léo, pede uma indicação a ele, depois paga do próprio bolso pelos serviços, que há de errado nisso? Só nisso, nada, é claro. É possível criticar a proximidade de um empreiteiro com um ministro do STF, por vezes obrigado a julgar causas que envolvam seus interesses. Assim como não é nada republicano o convívio com o ex-presidente, transformado em lobista internacional segundo as denúncias. Mas, sem provas de contrapartidas por favores prestados, nada disso pode ser julgado ilegal.

Ilegais são todas as fraudes nos contratos da Petrobras, as propinas e tudo aquilo por que Léo já foi condenado a cumprir 16 anos de prisão. Valeria a pena negociar redução nessa e em penas futuras, em troca de informações sobre as obras de Aécio, as suspeitas que pesam sobre Lula ou tudo o mais que ele tiver a dizer? Claro que sim. Mas, de modo repentino e misterioso, a PGR passou a acreditar que não mais. Por que será? Talvez seja o caso de pedir ao próprio Léo alguma dica sobre como evitar infiltrações e vazamentos.

HELIO GUROVITZ

Do Portal G1

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