Juíza mantém internação de menor apreendido em ação contra terrorismo, em GO

Menor foi ouvido por juiza de Caldas Novas sobre promoção de terrorismo Goiás Caldas Novas (Foto: Giuliane Nascimento/TV Anhanguera)

Menor foi ouvido em Caldas Novas sobre promoção de terrorismo(Foto: Giuliane Nascimento/TV Anhanguera)

O adolescente de 17 anos apreendido durante a Operação Hashtag, que apura a ligação de brasileiros com o terrorismo, foi ouvido pela nesta segunda-feira (1º) na Vara da Infância e Juventude de Caldas Novas, no sul de Goiás. Segundo a juíza em substituição, Luciana Monteiro Amaral, foi mantida a internação do adolescente, por 45 dias, até o fim do processo.

“Foi uma audiência de apresentação, que é quando ouvimos o menor sobre os fatos do processo. Mas isso corre em segredo de Justiça e não podemos revelar o que foi dito durante a audiência. Esse prazo de 45 dias é para finalizar o processo. Se não houver uma sentença nesse tempo ele precisa ser solto”, disse ao G1.

O rapaz foi apreendido na última sexta-feira (29), em Morrinhos, também no sul do estado. Conforme a juíza, o processo investiga se o menor participa de promoção de grupos de terrorismo Estado Islâmico. O rapaz foi ouvido na comarca e levado de volta para o centro onde está internado, em Goiânia.

Segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO), uma nova audiência deve ser marcada para ouvir testemunhas relacionadas ao caso. Porém, ainda não há data prevista para esta sessão.

Apreensão
Segundo a Polícia Federal, a ação foi realizada em conjunto com a Polícia Civil em cumprimento a um mandado de internação.

Conforme a PF, foi verificado que o adolescente participava do grupo investigado na operação. O caso foi notificado às autoridades de Goiás, que realizaram a apreensão.

O mandado de internação foi expedido pelo Juizado da Infância e Juventude de Goiás, que determinou que o suspeito fosse levado para um centro de internação, cujo nome não foi revelado.

Família
O tio do adolescente afirmou que o sobrinho vivia “escondido” e “não se relacionava com as pessoas”. O homem, que não quis ser identificado, disse que o menino morou nos Estados Unidos e, desde que voltou, no ano passado, apresentava um comportamento estranho. Segundo ele, a família ficou surpresa depois que soube da apreensão do menor.

“Na verdade ele ficava bem escondido. Ele não tinha comunicação, não se relacionava com as pessoas, talvez falava só mesmo com o pai e a mãe ou talvez com a avó e ninguém mais. A gente não tinha como avaliar o que estava acontecendo. Para nós é uma surpresa, nós não tínhamos nenhuma informação sobre isso, e eu verdadeiramente não sabia que ele tinha ou tem ligação com esse pessoal”, afirmou.

Operação Hashtag
Em dia 21 de julho, a Polícia Federal deflagrou a “Operação Hashtag”, que prendeu 12 pessoas suspeitas de terrorismo em 8 estados.

No primeiro dia da operação foram cumpridos 10 mandados de prisão em 7 estados. As demais prisões ocorreram em Mato Grosso: no dia 22, o penúltimo foragido se entregou à PF  na cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade; no dia 24, o último suspeito foi localizado pela Polícia Militar de MT em Comodoro.

Na ocasição, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse em entrevista coletiva que os investigados na operação não tiveram contato com membros do Estado Islâmico e que se trata de uma “célula absolutamente amadora”, porque não tinha “nenhum preparo”.

“Mas obviamente que não podemos – nenhuma força de segurança – ignorar isso. […] Só o fato de começarem atos preparatórios, não seria de bom senso aguardar para ver, e o melhor era decretar a prisão deles”, afirmou o ministro.

Menor é apreendido em Goiás durante ação que apura elo com terrorismo  (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Menor é apreendido durante ação que apura elo com terrorismo (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Moraes disse que o grupo mencionava a intenção de comprar um fuzil AK-47 em uma loja clandestina no Paraguai.

Segundo Moraes, os investigados na operação nunca tinham se encontrado pessoalmente e eram monitorados há meses pela polícia. Eles costumavam se comunicar pela internet, por meio dos aplicativos de mensagem instantânea WhatsApp e Telegram.

Os suspeitos presos vinham sendo monitorados pela PF há alguns meses e foram presos porque passaram dos comentários em redes sociais e mensagens de texto para “atos preparatórios” de atentados terroristas.

“Várias mensagens mostram a degradação dessas pessoas, comemorando o atentado em Orlando e em Nice, comentando o atentado anterior que ocorreu na França, postando e circulando entre eles as execuções que foram relizadas pelo Estado Islâmico”, acrescentou Moraes.

“A partir do momento em que saíram daquilo que é quase uma apologia ao terrorismo para atos preparatórios, foi feita prontamente a ação do governo federal”, disse o ministro na ocasião.

Do Portal G1

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