IBGE faz levantamento sobre comportamento e saúde dos alunos, confira

Como vai a saúde dos nossos alunos? Para chegar a essa resposta, a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) abrangeu 2.630.835 alunos matriculados no 9º ano do ensino fundamental da rede pública e privada.

Do total da amostra, 48,7% são meninos e 51,3% meninas. Esta é a terceira edição da Pense, que já foi feita nos anos de 2009 e 2012.

ESTUPRO

Foi a primeira vez que os alunos responderam se já foram vítimas de estupro. Do total de alunos do 9º ano, 4% responderam que já foram forçados a ter relação sexual.

O percentual para meninos foi de 3,7% e para meninas de 4,3%. Destes, 4,4% estão nas escolas públicas e 2% nas particulares. Quando perguntado sobre quem praticou o estupro, o maior percentual é de namorado (a) e ex-namorado (a) com 26,6%; amigo (a) 21,8%; pai/mãe/padrasto/madrasta (11,9%); e outros familiares (19,7%).

Para a psicóloga Ana Carolina Svirski, coordenadora da equipe de saúde da criança do Centro de Saúde Murialdo, de Porto Alegre, os números relatados pelos jovens na pesquisa poderiam até ser maiores, já que a experiência no atendimento de vítimas aponta que as vítimas têm dificuldade em falar sobre o tema. Segundo ela, os casos de abuso nessa faixa etária são até mais difíceis de serem percebidos pelos pais dos que quando ocorrem com as crianças.

 SEXO

pesquisa mostrou que 27,5% dos alunos brasileiros do 9º ano já tiveram pelo menos uma relação sexual. Entre os meninos entrevistados, 36% responderam já ter feito sexo; enquanto entre as meninas a porcentual foi 19,5%. Se comparados os dados entre as redes, é maior o total na rede pública: 29,7% contra 15% nas particulares.

Dos 27,5% dos alunos que afirmaram já ter feito sexo, 61,2% usaram preservativo na primeira vez. Além disso, 1,1% das alunas do 9º ano do ensino fundamental, o que representa um universo de 23.620 meninas, declarou já ter engravidado alguma vez.

61% dos alunos do 9º ano que fizeram sexo relataram uso de camisinha.

 ÁLCOOL E DROGAS

Um total de 23,8% das meninas respondeu que consumiu bebida alcoólica nos últimos 30 dias anteriores à realização da pesquisa. Entre os meninos o porcentual foi de 22,5%. Para os alunos de escolas públicas e privadas, este indicador foi de 24,3% e 21,2%, respectivamente. Vinte e um por cento dos escolares informaram que já ficaram embriagados pelo menos uma vez.

A pesquisa também traz dados sobre uso de drogas: 9% dos alunos já usaram drogas ilícitas, sendo 9,5% entre os meninos e de 8,5% entre as meninas. Quando avaliada a rede de ensino, os alunos das escolas públicas (9,3%) disseram que experimentam com mais frequência as drogas ilícitas do que àqueles de escolas privadas (6,8%). O consumo atual de maconha para os escolares do 9º ano foi 4,1%. Um consumo maior foi registrado para os meninos (4,8%) quando comparados às meninas (3,5%).

Em Florianópolis, o G1 ouviu alunos da rede estadual que não se surpreenderam com os dados para pesquisa. Atualmente com 15 anos, W. diz que a primeira vez que bebeu foi em uma festa de aniversário há um ano. Agora, conta que bebe em todas as festas e que seus colegas de escola, do 9º ano do colégio, também bebem. A adolescente R*, de 15 anos, conta que a primeira vez que bebeu foi aos 13 e agora está no 9º ano. “Se eu pudesse, eu bebia em toda a festa. Não tem como, né? Às vezes não tem dinheiro”, disse.

Arte/G1
 CIGARRO

Asérie histórica da pesquisa mostra que, ao menos nas capitais, foi verificada queda no total de alunos do 9º ano que experimentaram cigarro ao menos uma vez. Em 2009, 30,5% dos entrevistados tinham usado, total que caiu para 19% no mais recente estudo.

Os meninos, com 19,4%, tiveram índice de experimentação superior quando comparado às meninas (17,4%). Nas escolas pública, com 19%, o índice foi maior do que nas privadas, que tiveram 12,6%. Entre as formas de obtenção do cigarro, a compra direta em loja ou bares foi declarada por 25,8% dos escolares, seguido por 19,3% que pedem cigarro a outra pessoa e 17,2% pegam o cigarro escondido.

Arte/G1
 DIREÇÃO DE VEÍCULOS

Um grupo de 32,4% dos alunos declarou que dirigiu algum veículo motorizados nos últimos 30 dias que antecederam a pesquisa. Em 2012, esse percentual foi de 27,1%.

A proporção de meninos que declararam dirigir veículos motorizados (45,2%) foi mais que duas vezes superior à das alunas (20,3%). O percentual entre os alunos de escolas públicas foi maior (33,9%) do que entre os de escolas privadas (23,6%).

Em Belo Horizonte, o G1 conversou com a jovem L., que disse que admitiu que dirige todos os dias. “Tenho amigos mais velhos e todos eles dirigem. Na minha casa meus pais conversam e deixam bem claro que isso é uma coisa bem rigorosa, que não é para qualquer um”, disse. Mesmo com a prática sendo ilegal, podendo levar a consequências penais e administrativas para o adulto que permite que o menor pegue o volante, a adolescente não vê problema na prática. “Depende da situação. Tem muita gente (adolescente) irresponsável, mas também tem muita gente responsável”, disse.

MERENDA

Os alunos da rede pública comem menos merenda do que os da rede privada. Embora 86,6% dos alunos brasileiros de escolas públicas digam que há merenda em seus colégios, só 38,1% responderam que consomem as refeições.

Por outro lado, na rede privada, há relatos de menor proporção de oferta (22,6%) acompanhado por maiores percentuais de consumo (48,9%).
Percentual de consumo de merenda ofertada pelos colégios é menor na rede pública.

ATIVIDADE FÍSICA

Trinta e quatro por cento dos alunos do 9º ano foram considerados ativos; já a maioria dos adolescentes (65,6%) foi classificada como sedentária. Houve queda no porcentual de alunos que não tiveram aulas de educação física nos últimos sete dias anteriores à pesquisa.

Em 2012, eles eram 18,3%. Em 2015, o índice caiu para 14%. O porcentual de alunos que informaram ter dois ou mais de aulas de educação física na mesma semana foi de 48%. Em 2012, esse valor era de 38,6%.

CRÉDITOS:

Reportagem: Vanessa Fajardo, Mariana de Ávila Faria, Pedro Ângelo e Hygino Vasconcellos
Infografia: Leo Aragão
Conteúdo: Ardilhes Moreira (Edição)
Design: Juliane Monteiro, Karina Almeida e Roberta Jaworski
Desenvolvimento: Fábio Rosa e Rogério Banquieri

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