Em busca do tetra, Brasil vence na estreia do futebol de 5, na Paralimpíadas do Rio

Quem tem Ricardinho e Jefinho, tem tudo! Superando o nervosismo da estreia e com golaços dos seus dois craques, o Brasil venceu o Marrocos de virada por 3 a 1 e começou bem a briga pelo tetracampeonato paralímpico. Considerado o “Dream Team” da modalidade, a seleção nunca perdeu uma partida sequer em Paralimpíada e manteve a escrita nesta sexta-feira, na Quadra 1 do Centro Olímpico de Tênis. Nesta sexta-feira, porém, precisou de paciência para dar a volta por cima em um confronto que começou complicado após o gol de Hattab. Na segunda etapa, contudo, o time se acertou, foi empurrado pelo bom público, e com lindos gols passou à frente, confirmando o amplo favoritismo. Nonato ainda marcou o terceiro dos brasileiros.

– Nós começamos tocando bem a bola, mas como saímos perdendo, tivemos que dar uma acelerada no jogo e procurar jogadas individuais. Mas o nosso grupo mostrou mais uma vez que está preparado para as adversidades. Futebol é isso. Nem sempre a gente sai ganhando e não tem jogo fácil. O Luan pegou bolas complicadas. No segundo tempo, nosso futebol sobressaiu, encaixando os gols – disse Ricardinho, autor do gol de empate.

Ricardinho chuta para empatar o jogo (Foto: André Durão)
Descrição da imagem: Ricardinho chuta de bico e acerta o ângulo do goleiro Bara (Foto: André Durão)

A seleção volta a jogar no dia 11, domingo, às 16h, contra a Turquia, novamente na Quadra 1, que foi adaptada para receber o futebol de 5. Se vencer, garante a classificação para o mata-mata. A Paralimpíada é disputada por dois grupos de quatro times, com os dois melhores avançando para as semifinais. O Brasil ainda pega o Irã na primeira fase. O outro grupo tem Argentina, China, Espanha e México.

– Estreia é assim. Em Paralimpíada não tem jogo fácil. Teoricamente, Marrocos era o time menos experiente do nosso grupo e olha como foi. O bom é que saímos atrás e conseguimos virar. Brigamos o tempo todo. Meu time gosta de ir para cima, corremos o risco de perder. Acho que quem ataca tem mais chance de ganhar. Eles fizeram o gol e foram lá para trás e viramos o jogo  – garante o técnico Fábio Vasconcelos, ex-goleiro de futebol de 5 e tricampeão paralímpico com o Brasil dentro de quadra.

BRASIL É MELHOR, MAS SAI ATRÁS

Ricardinho comemora seu gol contra Marrocos (Foto: André Durão)
Descrição da imagem: Ricardinho é colocado no colo pelo guia do Brasil (Foto: André Durão)

Como quase todo time que enfrenta o Brasil no futebol de 5, Marrocos começou defensivo. Tentando quebrar essa barreira, Ricardinho deu belo drible no marcador e sofreu falta aos dois minutos. Na cobrança, nada de gol. O primeiro grande momento da partida, porém, foi dos africanos. Após passe errado de Cássio, Hattab saiu em velocidade no contra-ataque e só foi parado pelo goleiro Luan, que fez bela defesa e vibrou muito. A resposta veio em seguida. Ricardinho, camisa 10, capitão e melhor do mundo, limpou pela esquerda e cortou para o meio. O chute saiu por cima do gol, aos sete minutos.

Aos 13, Marrocos surpreendeu e saiu na frente. A defesa deu bobeira com Cássio, e Elazouzi achou Hattab. Já dentro da área, ele cortou para o meio e bateu no canto de Luan, fazendo 1 a 0. Aos 15 minutos, o Brasil teve a chance do empate. O goleiro Bara usou os pés fora da sua área limite e cometeu uma infração. A penalidade foi cobrada por Nonato. Ele acertou o canto direito, mas Bara saltou para defender bem. Dois minutos depois, Ricardinho sofreu novo pênalti, após falta de Elazouzi. Ele mesmo bateu e Bara salvou de novo. Aos 19, Nonato quase empatou em duas chances. Na segunda, ele deu lindo drible e acertou a trave de Bara.

Brasil x Marrocos - futebol de 5 Rio 2016 (Foto: AFP)
Descrição da imagem: Jefinho, autor de golaço, recebe a marcação de três marroquinos (Foto: AFP)

No finzinho da primeira etapa, o Brasil teve outra grande chance e desta vez o público atrapalhou, levando ao desespero o técnico Fábio Vasconcelos. Ricardinho chutou e Bara deu o rebote. Na sequência, a bola sobrou limpa para Nonato. O barulho da torcida após o rebote, porém, fez com que o jogador não encontrasse a bola, retardando o chute, que acabou travado pela defesa africana.

Brasil Marrocos futebol de 5 Paralimpíada (Foto: André Durão)
Descrição da imagem: Nonato e o guia do time brasileiro comemoram o terceiro gol com abraço (Foto: André Durão)

O segundo tempo começou com pressão do Brasil. E ela surtiu efeito logo aos cinco minutos. Luan lançou Ricardinho e o camisa 10 teve frieza para avançar, cortar para o meio e bater de bico, no ângulo de Bara, deixando tudo igual. A virada quase veio em seguida. Também pela esquerda, Jefinho se livrou da marcação e bateu. Bara defendeu com o pé.

Pressionando, a seleção virou aos dez minutos com o próprio Jefinho. O camisa 7 avançou pela direita, limpou para o meio e bateu cruzado, à meia altura, no cantinho de Bara, que caiu mas não chegou nela: 2 a 1. Dono do jogo, não demorou muito para o Brasil fazer o terceiro gol. Nonato, outro destaque da partida, conseguiu espaço pela esquerda e bateu bem no canto, vencendo Bara. Ao levar o terceiro gol, Marrocos saiu mais para o jogo. E levou perigo. Em chute de Hattab, aos 19, Luan fez boa defesa. Poupando o time, o técnico Fábio Vasconcelos tirou Ricardinho e Jefinho, que foram muito aplaudidos pela virada e vitória na estreia.

Brasil Marrocos futebol de 5 Paralimpíada (Foto: André Durão)
Descrição da imagem: brasileiros comemoram a vitória sobre Marrocos na estreia (Foto: André Durão)

A MODALIDADE

O futebol de 5 entrou no programa paralímpico em Atenas 2004. O jogo tem dois tempos de 25 minutos, sendo que os dois últimos de cada tempo são cronometrados, ou seja, o tempo para quando a bola sai pela linha de fundo. O intervalo entre os dois tempos é de dez minutos. Existe também uma pequena área de onde o goleiro não pode sair para realizar defesa nem pegar na bola; o arqueiro, por sinal, é o único vidente, ou seja, não tem deficiência. Após a terceira falta de uma equipe, é cobrado um tiro livre da linha de oito metros ou do local onde foi sofrida a falta. Ao se deslocarem em busca da bola, os jogadores precisam gritar “voy”, vou em português, na tentativa de evitar choques.

A bola, como a de futsal, tem guizos que ajudam os jogadores a encontrá-la e também a manterem o seu domínio. A quadra tem a metragem de 40 x 20. Assim como no goalball, modalidade paralímpica exclusiva, no Fut 5 o silêncio é fundamental. Só assim os jogadores conseguem ouvir as orientações dos técnicos e dos chamadores, além dos goleiros, e também ouvir o guizo que fica dentro da bola e os ajuda. A torcida só pode vibrar e fazer barulho na hora do gol, em faltas, linha de fundo, lateral, tempo técnico ou qualquer outra paralisação da partida.

Por Thierry Gozzer

Rio de Janeiro

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