Após primeiras apresentações fora de PE, orquestra é assaltada na BA

As primeiras apresentações fora de Pernambuco da Orquestra de Câmara do Alto da Mina, formada por garotos que residem nessa comunidade dos Bultrins, em Olinda, poderiam ser especialmente inesquecíveis, mas um episódio de violência deixou uma marca negativa na experiência. No caminho de volta para o estado, na madrugada de domingo (31), após duas apresentações em Salvador (BA), o ônibus com os integrantes da orquestra foi assaltado na BR-101, no município baiano de Alagoinha.

Um grupo de bandidos fechou a rodovia com troncos de árvore e três cavalos, obrigando o motorista do ônibus a parar o veículo. Cinco criminosos encapuzados entraram armados e atiraram para o alto, ameaçando os passageiros. Eles levaram o ônibus para uma estrada de terra, onde saíram recolhendo tudo que encontravam pela frente.

“Foram 20 minutos de muito pânico e medo, foram momentos muitos difíceis. Eles ameaçavam a gente. Puxaram meu lençol e disseram: ‘Velha, tire esse lençol que você não está dormindo e me dá o dinheiro’. Eu tinha um relógio e eles perguntaram se era de ouro e eu menti que era para eles saírem. Eles levaram meu relógio e minha tranquilidade”, conta Maria das Dores, voluntária da Orquestra.

Uma menina de 10 anos que toca violino na Orquestra diz que ficou assustada com a abordagem dos bandidos. “Eu lembro que todo mundo estava chorando. Quando vi a minha irmã chorando, comecei a chorar também. Um homem estava tentando me acordar com uma [pistola] 12 na mão. Acordei assustada com tudo que estava acontecendo, tive muito medo”, desabafa a garota. Com o pânico, algumas pessoas passaram mal e foram atendidas por uma enfermeira que é voluntária da Orquestra.

Integrantes da Orquestra de Câmara do Alto da Mina após assalto a ônibus (Foto: Reprodução/TV Globo)
Maestro Israel França e integrantes da Orquestra de Câmara do Alto da Mina após assalto a ônibus (Foto: Reprodução/TV Globo)

Para quem passou por um terror como esse, voltar pra casa foi a melhor parte. “Apesar de saber que essas coisas acontecem todos os dias, não esperávamos passar por isso. O que havia de mais importante, que era a nossa vida, foi preservada. Imaginávamos que não voltaríamos para casa, mas deu um alívio quando eles foram embora”, diz o pastor Paulo César Perreira.

No assalto, os bandidos levaram vários instrumentos da orquestra. Para seguir se apresentando, os integrantes vão ter arrumar dinheiro para comprar outros. Apenas os instrumentos do Maestro Israel de França que foram levados estão avaliados em aproximadamente R$ 50 mil. “Eu pensei que estava me despedindo das crianças quando um deles mandou eu descer e colocar as mãos na cabeça e ficar de cabeça baixa. É difícil não ter material para trabalhar, mas essa orquestra ainda vai chegar longe”, acredita.

Os meninos que sonham seguir carreira como músicos não perderam, porém, a esperança. “Para voltar, foi difícil. Todo mundo tentava se consolar um pouco, ninguém conseguiu dormir. Qualquer momento que o ônibus parasse ou freasse, a gente ficava com medo. Eles conseguiram roubar quase tudo da gente, menos o nosso sonho, que permanece o mesmo”, enfatiza Alice de Paula, de 18 anos, que toca vioncelo na Orquestra.

Do Portal G1

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